Dá para emagrecer dormindo? Sim, é só fazer
musculação
Ao pensar em alguma atividade para emagrecer,
invariavelmente a corrida, bicicleta, caminhada, ou seja, exercícios aeróbicos,
são os primeiros da lista. O que você provavelmente não sabe é que, a longo
prazo, o gasto de energia em musculação pode ser superior. E se você está
destreinado, os exercícios de força consomem mais energia em menos tempo.
As atividades aeróbicas queimam gordura, mas só após certo tempo. Já os
exercícios mais intensos e não tão longos, como a musculação, queimam reservas
mais rápidas encontradas no músculo, como o ATP, o glicogênio e a creatina. Por
isso, têm a fama de não ajudar no emagrecimento.
No entanto, nas horas posteriores (e mesmo dias depois), o corpo precisa
recuperar as reservas energéticas utilizadas no esforço. Além disso, é preciso
recuperar as células musculares e aumentar o volume de músculo (hipertrofia)
como adaptação ao esforço sofrido. Para tudo isso o corpo utiliza energia, as
tão famosas calorias, que vêm em sua maior parte das reservas de gordura. O
total gasto durante o treino deve ser visto junto com o que foi gasto nas horas
posteriores.
Assim, o total de energia gasta em um treino de musculação com maior
intensidade e menor duração pode ser semelhante ao de um treino aeróbio mais
longo. Uma pessoa destreinada pode não aguentar tanto tempo de corrida quanto
seria necessário para emagrecer. Já na musculação, com intervalos, é possível
começar com treinos que já consomem mais energia.
Emagreça dormindo
A musculação proporciona a alteração da composição corporal: ganha-se (ou pelo
menos mantêm-se) os músculos, que constituem a massa magra, e perde-se gordura,
a massa gorda. O professor Tiago Poggio, da academia Bio Ritmo, comenta que “o
emagrecimento deve estar relacionado com a perda de massa gorda e não de massa
muscular”.
Nessa conta, muitas vezes o efeito não aparece na balança, pois a massa
muscular pesa mais do que a gordura, ocupando um volume menor. Ou seja: podemos
emagrecer visivelmente, ganhando músculos e perdendo medidas, sem que isso seja
perceptível no peso.
A massa magra também acelera o nosso metabolismo: os músculos gastam mais
energia para se manter do que a gordura. Com isso, o aumento da massa magra
acarreta um aumento da energia necessária para manter o corpo vivo no seu dia a
dia (taxa metabólica de repouso). Assim, o ganho de massa muscular contribui
para o aumento do gasto energético em repouso, e você emagrece dormindo.
Um pequeno aumento da massa magra provoca um aumento quase insignificante do
metabolismo, mas algumas alterações fisiológicas (ainda não completamente
explicadas) indicam que a musculação gera um aumento do metabolismo
desproporcional ao ganho de massa muscular, bem mais significativo para o total
de energia gasta em um dia.
Dieta mais exercício
Assim como qualquer outro exercício, a musculação não faz milagre. Ela terá
efeitos muito maiores se combinado com uma alimentação adequada, o que não
significa passar fome. O corpo precisa de uma série de nutrientes para compor a
nova massa muscular, para isso, uma alimentação balanceada é essencial.
Na falta de alimento, a primeira coisa que o corpo faz é diminuir a massa
muscular, pois ela consome muita energia. Mas, segundo o professor Paulo
Gentil, presidente do Gease (Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios)
e autor do livro “Emagrecimento: quebrando mitos e mudando paradigmas”,
pesquisas mostram que mesmo em dietas muito restritivas, a musculatura é
preservada se a pessoa fizer musculação e a massa gordurosa é perdida. Já se a
dieta rigorosa for feita junto ao treino aeróbico, há perda de peso semelhante,
mas também perde-se massa muscular, diminuindo o metabolismo de repouso. O
ideal é consultar um nutricionista para adequar a dieta ao exercício e a seus objetivos
de perda de peso.
por Ceres Prado